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Eduarda Divivier

Eduarda Divivier

Como eu conheci Lama Gangchen Rimpoche. 

Na década de oitenta, eu morava com um chinês que ensinava tai chi chuan , além de ser médico de acupuntura formado na China. 

Ele se interessava por tudo o que se referia a longa vida e as curas de várias doenças psicossomáticas. Outra mania dele era ler o jornal da Tarde. Veio me mostrar todo contente uma reportagem com Lama Gangchen e comentou:

– Esse Lama pensa igual a mim, veja só o que ele diz:” A cabeça da gente deve ser limpa como um céu sem nuvens ! ”

Combinamos e fomos assistir à uma palestra do Lama Gangchen Rimpoche no Clube Paulistano. 

Eu achava que meu namorado chinês era um grande mestre, equilibradíssimo e caía de amores por ele, achando que estava vivendo ao lado de um Buddha. Aliás me separei do meu marido para seguir cegamente o chinês, como os apóstolos fizeram ao encontrar Jesus Christo. Até meu pai caçoava de mim, dizendo: “Você pensa que esse chinês é um Buddha? ”

Buddha ou não, eu acreditava que o Chinês fosse igual ao Kung Fu, do seriado americano. 

Assim como ele apreciou o Lama Gangchen, eu por segui-lo, fui surpreendida também com a palestra do Lama. 

Acontece que eu era super fissurada no chinês e queria que ele se apaixonasse por mim a todo o custo, de uma forma irreversível. 

Então o que eu fiz? Marquei uma consulta no Centro de Dharma da Paz e pensei: Se eu conseguir seduzir o Lama que parece ser bem mais poderoso do que o “L.” chinês, tenho certeza que a energia do Lama vai ser mais forte e eu vou conseguir o meu intento. 

Na consulta fiz o possível e impossível para seduzi- lo, já que eu me encontrara à sós num ambiente fechado com Lama Gangchen. 

Acontece que o Guru foi irredutível, apesar de minhas carícias em suas pernas e pés. 

Afastou minhas mãos delicadamente e me disse: “Desça e vá buscar os ensinamentos.” 

Naquela hora, eu senti um imenso vazio e fiquei muito envergonhada da minha ousadia. Desci as escadas e fui me juntar à turma de discípulos que esperava os ensinamentos. 

Foi uma transformação total em minha vida e desde aquele dia mesmo sem ter tido um relacionamento sexual eu vi e senti uma imensa comunhão de almas. 

Desde ali, virei uma discípula assídua e seguidora de Lama Gangchen, fiz músicas e letras para o dharma e achei nisso uma motivação sublime. 

O Chinês “L” foi para os Estados Unidos alguns anos depois e eu continuei no Brasil e no Dharma. 

Certa vez perguntei ao Lama: “O que o chinês é para mim? Um mestre? “

Ele respondeu: “É sexo. Ele te usa. “

Continuei: “Então quem é meu mestre e Guru? “

Lama Gangchen respondeu; “sou Eu seu mestre e Guru.” 

O meu encontro com Lama Gangchen fez com que minha vida fosse cada vez melhor, no estilo do mantra: Tayata Om Gate Gate Paragate Parasamgate Boddhi Soha… Assim concluo dizendo: “Melhor, melhor, cada vez melhor, muito melhor, agora e sempre. “

Eduarda Duvivier. 

 

 

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