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Ana Paula Chaves

Ana Paula Chaves

Quando você teve seu primeiro contato com o budismo tibetano? 

Em julho de 1997 e meu pai acabara de falecer. No período de 1 ano antes, aproximadamente, eu vinha tentando me preparar para esta perda. Fazia yoga, meditação com mantras da Índia e dei mais espaço para ficar em contato com meu pai. Saíamos para pintar, deitávamos na grama , passeávamos pelo parque em SP e foi uma linda experiência . 

Um dia conversei sobre a possibilidade dele ler algo diferente sobre autoconhecimento, ele me disse que se interessava pelo Budismo. Fui atrás de um livro, pois leitura era fundamental para meu pai, e acabei encontrando o “Engenheiro que virou budista” , mas ele não se interessou, disse que era muito difícil a linguagem. 

Quando a morte chegou na nossa casa realmente meu chão desabou. Mesmo melhor preparada do que meus irmãos e minha mãe, eu fiquei arrasada e sai em busca de algo para realmente fincar meu pé. Não queria só ficar com a Yoga e com os mantras Hare Krishna, queria buscar um caminho correto que me levasse a um outro estado. 

Foi então que pedi muito nas minhas meditações na Yoga para que um mestre aparecesse para mim, e tive um lindo encontro interno. Até hoje, lembro do seu semblante. Contei para minha amiga Hare Krishna sobre esta meditação profunda e como tinha uma inquietude para encontrar algo. Fui até em uma igreja evangélica mesmo sabendo que era do Oriente o que eu iria achar. 

Um belo dia, a minha amiga Hare Krishna me ligou dizendo que havia conhecido a tradutora do mestre da minha meditação. Ela havia estado num fórum inter-religioso que o Centro de Dharma havia organizado e me disse que haveria outro encontro dali 1 mês. Não dei muita bola com o comentário dela sobre a tradutora e fiquei triste em não ter participado do fórum, porque era uma maneira de eu conhecer todas as religiões e ver onde me encaixava. No fórum seguinte eu fui e adorei a proposta sobre a paz. Então, resolvi aceitar o convite da Fernanda Machado para participar como voluntária e ser uma das secretárias do fórum. Fui a primeira reunião, no Centro de Dharma e, entrando no gompa vi a foto de Lama Gangchen Rinpoche. Na hora pensei, “este é o mestre da minha meditação!”. Desde então, nunca mais larguei meus estudos na filosofia budista tibetana. Isso aconteceu em setembro de 1997. 

Faça um resumo da sua trajetória no Centro e com os Lamas – viagens, retiros importantes. 

No final de 1997, enfrentei um problema de tiroide. Eu tenho tiroidite de Hashimoto, desorganização dos anticorpos que fazem o funcionamento da tiroide. Neste período a tiróide travou e parou de funcionar. Os médicos imediatamente me mandaram tomar o hormônio da tiroide. Como eu sou teimosa, antes fui ler sobre o problema e descobri que se eu diminuísse o estresse a tiróide voltaria a funcionar, e foi aí que entrei em contato com a Autocura NgalSo. Tirei 15 dias de férias e fiquei fazendo Yoga com os Àssanas para tiroide e praticando Autocura da minha maneira porque não tinha ninguém para me ensinar. Todos do Centro de Dharma haviam viajado para Borobudur para um retiro com Lama Gangchen por todo o verão praticamente. 

Comprei o livro e a fita cassete e me virei para fazer a meditação, lógico que já havia lido sobre corpo sutil e chákras, pois sempre fui fascinada por isto. E hoje, a Autocura NgalSo é tudo na minha vida! Coloco esta prática em tudo que faço e sou extremamente abençoada por ter Lama Gangchen nesta vida, mesmo que ainda não o tivesse conhecido pessoalmente. 

Não preciso dizer que a tiróide voltou a funcionar e só fui começar a tomar hormônio mesmo depois de 15 anos, porque resolvi colocar um pouco mais de estresse na minha vida para conseguir ganhar um pouco mais de dinheiro. 

Assim que as pessoas voltaram de Borobudur e o Centro de Dharma voltou a abrir retomei as práticas.Logo a Bebel me chamou para ajudar na coordenação de práticas com ela e comecei a coordenar a prática de Vajrasattva. Eu fiquei por vários anos nesta coordenação e acabei fazendo o meu primeiro retiro de 108.000 mantras de Vajrasattva. 

Conheci Lama Gangchen em 1998, em um hotel em Manaus, na segunda viagem da AACHA para Amazônia. Quase morri de emoção, mas como fui com muita expectativa foi o meu primeiro balde de água fria, porque eu esperava um encontro como se fosse meu pai voltando e não foi nada disso que aconteceu (nesta conclusão eu cheguei depois de um longo tempo me analisando e depois conversando com o Rinpoche). 

Minha relação pessoal com Lama Gangchen foi se construindo nestes 21 anos. Nem sempre foram flores, mas não tinha dúvida nenhuma quanto a Ele ser mesmo o meu Guru, devido a Autocura NgalSo. 

Com Lama Caroline conheci o Tantra que Lama Gangchen nos presenteou e com Lama Michel conheci o Sutra. Eu aprendi a apreciar a filosofia budista através dos ensinamentos de Lama Michel Rinpoche e não tenho palavras pelo Grande Amor e gratidão que tenho pelos meus três Gurus. 

De 1997 até hoje, participei de retiros e iniciações com os Lamas feitos aqui em São Paulo e viagens de peregrinação na Amazônia, Borobudur, Nepal, Tibet, Albagnano. As viagens foram espetaculares, um crescimento interno incrível! Aprendemos o tempo todo com tudo o que Eles nos oferecem de ensinamentos, e estar nestes lugares sagrados com Eles é também como se nosso continuum mental mudasse de direção. 

Desde então, sempre emendei retiros particulares de 108.000 mantras. Já fiz alguns além de Vajrasattva como :Tara Branca para saúde de Lama Gangchen com o mantra curto, Budha Shakyamuni , 400.000 de Tara Tchitamani e atualmente estou fazendo junto 108.000 Preces de Lama Tsong Khapa com 108.000 Mantras raiz de Lama Gangchen Rinpoche usando a prática de Guru Yoga de Lama Tsong Khapa, ainda não finalizado. 

Tenho trabalhado como voluntária do Centro de Dharma, desde 1988 até hoje. Sou coordenadora de prática de 1988 até hoje. Já coordenei as práticas de Vajrasattva, Yamanthaka, Tara Tchitamani, Kurukulle e estudos do Dharma.

Participei da atividade de montagem e desmontagem de gompa até 2004. Fui coordenadora de 3 retiros de Vajrasattva, 1 retiro de Tara Tchittamani e 1 retiro de Guru Yoga de Lama Tsong Khapa. Fiz parte do Conselho fiscal, Conselho Deliberativo, da Diretoria Financeira e, atualmente, em 2019, sou Vice-presidente do Conselho. Também sou professora do curso de Introdução ao Budismo, desde 2012. 

Experiências com o Lama como seu Guru 

Foram poucas as orientações de vida prática que pedi a Lama Gangchen Rinpoche, mas uma delas foi sobre como cuidar da minha mãe quando meu pai morreu. Ele disse que era importante cuidar dela e fiz meu caminho seguindo as Suas orientações. 

A experiência prática mais marcante foi ver a cura que Ele fez no nariz quebrado da Bel, na Amazônia. Foi instantânea e ficou sem nenhum roxo praticamente!  Também é marcante todas as aparições de arco-íris depois dos retiros e iniciações. 

Sofri por anos com transtorno de ansiedade, mas sempre controlei com autocura, quando sofri 2 assaltos passou para stress pós-traumático. Lama Gangchen me orientou a fazer o mantra do Guru com as mãos posicionada no umbigo, a sensação de pânico passava na hora e novamente não precisei tomar medicamento.  

O mais incrível é a prática de Autocura NgalSo que Lama Gangchen nos ensinou. Hoje, a minha vida não teria sentido se eu não tivesse este conhecimento junto com tudo que Lama Michel me ensinou dentro da filosofia budista. 

A vida tem significado quando o encontro que você sempre esperou acontece e você não tem palavras para tamanha gratidão a Eles e ao seu mais profundo ser que tornou tudo isto possível.

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